DE CLERICORUM INSTITUTIONE
LIBER II
CAPUT LIII
De libris duorum Testamentorum
A INSTITUIÇÃO DOS CLÉRIGOS
LIVRO II
CAPÍTULO LIII
Sobre os livros dos dois Testamentos
Pronuntiantur autem lectiones in Christi ecclesiis de Scripturis sanctis. Constat autem eadem sacra Scriptura ex veteri lege et nova. Vetus lex illa est, quae data est primum Iudaeis per Moysen et prophetas, quae dicitur Vetus Testamentum. Testamentum autem dicitur, quia idoneis testibus, utique a prophetis scriptum est atque signatum. Nova vero lex Evangelium est, quod dicitur Novum Testamentum, quod per ipsum Filium Dei Christum et per suos apostolos dedit. Illa lex vetus velut radix est, haec nova velut fructus ex radice. Ex lege enim venitur ad Evangelium. Siquidem Christus, qui hic manifestatus est, ante in lege praedictus est, immo ipse locutus in prophetis, sicut scriptum est: 'Qui loquebar, ecce adsum', legem praemittens velut infantibus paedagogum, Evangelium vero perfectum vitae magisterium iam adultis omnibus praestans. Ideo in illa operantibus bona terrae promittebantur, hic vero sub gratia ex fide viventibus regnum caeleste tribuitur. Evangelium autem dicitur bonum nuntium, et re vera bonum nuntium, ut qui susceperint filii Dei vocentur.
Nas igrejas de Cristo são proclamadas leituras a partir das Santas Escrituras. A mesma Sagrada Escritura é composta da antiga lei e da nova. A antiga lei é aquela que foi dada primeiramente aos judeus por Moisés e pelos profetas, que é chamada de «Antigo Testamento». É chamado de «testamento», porque foi escrito e selado sobretudo pelos testemunhos idôneos dos profetas. A nova lei é, de fato, o Evangelho, que é chamado de «Novo Testamento», que foi concedido por meio do próprio do Filho de Deus, o Cristo, e por meio de seus apóstolos. Aquela lei antiga é como a raiz, esta nova é como o fruto da raiz. Pois a partir da lei se chega ao Evangelho. Com efeito, Cristo, que aqui se manifestou, foi anunciado outrora na Lei. E ainda mais, Ele mesmo falou nos profetas, conforme está escrito: «Aquele que dizia, “Eis-me aqui”» (Isaías 52, 6), enviando antecipadamente a Lei como um pedagogo para crianças, agora, porém, oferecendo a todos os adultos o Evangelho, perfeito magistério da vida. Por isso, aos que trabalhavam naquela dispensação eram prometidos os bens da terra, aqui, porém, sob a graça, aos que vivem pela fé é concedido o reino celeste. Evangelho, aliás, quer dizer «boa nova», e é realmente uma boa nova, para que aqueles que o receberem sejam chamados filhos de Deus.
Hi sunt ergo libri Veteris Testamenti, quos ob amorem doctrinae et pietatis legendos recipiendosque Ecclesiarum principes tradiderunt. Primi namque legis, id est Moysi, libri quinque sunt: Genesis, Exodi, Levitici, Numeri, Deuteronomium. Hos secuntur historici libri sedecim, Iesu Nave scilicet et Iudicum libri singuli, sive Ruth, Regum etiam libri quatuor, Paralipomenon duo, Tobii quoque et Hesther et Iudith singuli, Aezrae duo et duo Machabaeorum. Super hos prophetici libri sedecim sunt: Isaias, Hieremias, Ezechiel et Daniel libri singuli, Duodecim quoque prophetarum libri singuli; et haec quidem prophetica sunt. Post haec versuum octo libri habentur, qui diverso apud Hebraeos metro scribuntur, id est: Job liber, et liber Psalmorum et Proverbiorum et Ecclesiastes et Cantica canticorum sive Sapientia et Ecclesiasticus, Lamentationesque Hieremiae. Sic quoque complentur libri Veteris Testamenti quadraginta quinque.
Estes são, portanto, os livros do Antigo Testamento que os príncipes das Igrejas transmitiram para serem lidos e recebidos sob o amor da doutrina e da piedade. E quanto a isso, os primeiros são os cinco livros da Lei, ou seja, de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. A estes seguem-se os quinze livros históricos, a saber, os livros individuais de Jesus Nave e Juízes, ou Rute. Ainda os quatro livros dos Reis. Os dois dos Paralipômenos. Também os individuais de Tobias, Ester e Judite. Os dois de Esdras e os dois dos Macabeus. Além destes, há dezesseis livros proféticos: os livros individuais de Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Também os doze livros individuais dos profetas, e estas obras decerto são proféticas. Em seguida, são considerados oito livros de versos, que são escritos em metro diferente entre os hebreus, a saber, o livro de Jó, o livro dos Salmos, Provérbios, Eclesiastes, os Cânticos dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico e as Lamentações de Jeremias. Assim se completam os quarenta e cinco livros do Antigo Testamento.
Novi autem Testamenti primum quatuor Evangelia sunt, Matthaei, Marci, Lucae, Iohannis. Hos quattuordecim Pauli apostoli epistolae sequuntur, quibus etiam subiunctae sunt septem catholicae epistolae: Iacobi, Petri, Iohannis et Iudae; Actus quoque duodecim Apostolorum, quorum omnium signaculum est Apocalypsis Iohannis, quod est revelatio Iesu Christi, qui omnes libros et tempore concludit et ordine. Hi sunt libri canonici septuaginta duo, et ob hoc Moyses septuaginta elegit presbiteros qui prophetarent; ob hoc et Iesus, Dominus noster, septuaginta duos discipulos praedicare mandavit. Et quoniam septuaginta duae linguae in hoc mundo erant diffusae, congrue providit Spiritus sanctus, ut tot libri essent, quot nationes, quibus populi et gentes ad perficiendam fidei gratiam aedifcarentur.
E do Novo Testamento primeiramente estão os quatro Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. A estes seguem-se as quatorze epístolas do apóstolo Paulo: às quais ainda se somam as sete epístolas canônicas de Tiago, Pedro, João e Judas. Também os Atos dos Doze Apóstolos. O selo de todos estes é o Apocalipse de João, porque é a revelação de Jesus Cristo que encerra todos os livros tanto no tempo como na ordem. Estes são os setenta e dois livros canônicos, e por isso Moisés elegeu anciãos que profetizariam; por isso também Jesus, nosso Senhor, enviou os setenta e dois discípulos para pregar. E como eram setenta e duas as línguas difusas neste mundo, de um modo harmônico, o Espírito Santo providenciou que houvesse tantos livros quantas são as nações, pelos quais os povos e as gentes seriam edificados para aperfeiçoar a graça da fé.
CAPUT LIV
De scriptoribus sacrorum librorum.
CAPÍTULO LIV
Sobre os autores dos livros sacros.
Veteris autem Testamenti secundum Hebraeorum traditionem hi scriptores habentur. Primum Moyses scripsit Pentateuchum. Jesu Nave edidit librum suum. Judicum autem, et Ruth, et Samuelis primam partem scripsit Samuel; sequentia Samuelis usque ad calcem, scripsit David. Malachim totum edidit Jeremias: nam ante sparsus erat per singulorum regum historias. Job librum Hebraei Moysen scripsisse putant, alii unum ex prophetis. Psalterium vero scripserunt decem prophetae, id est, Moyses, David, Salomon, Asaph, Ethan, Idithun, Eman et filii Core, id est, Asir, Elcana, Ephiasab. Sunt qui et Esdram, et Aggaeum, et Zachariam scripsisse dicant. Salomon scripsit Proverbia, et Ecclesiasten, et Cantica canticorum. Isaias scripsit librum suum, similiter et Jeremias cum Lamentationibus ejus. Viri Synagogae sapientes scripserunt Ezechielem, Danielem, et Paralipomenon, et Esther. Esdra scripsit librum suum. Omnes autem hos libros idem Esdra post incensam legem a Chaldaeis, dum Judaei ingressi fuissent in Jerusalem, divino afflatus Spiritu reparavit, cunctaque prophetarum volumina, quae fuerant a gentibus corrupta, correxit; totumque Testamentum in viginti duos libros constituit, ut tot libri essent in lege quot habentur et litterae.
E, segundo a tradição dos hebreus, estes são considerados os autores do Antigo Testamento. De início, Moisés escreveu o Pentateuco. Jesus Nave publicou seu próprio livro. Quem, por sua vez, escreveu o livro de Juízes, Rute e a primeira parte de Samuel foi Samuel; quem escreveu as partes seguintes de Samuel até o final foi Davi. Quem publicou todo o livro de Malachim foi Jeremias; visto que antes estava disperso pelas histórias de cada um dos reis. Quem escreveu o livro de Jó, os hebreus creem que foi Moisés, outros algum dos profetas. Quem, decerto, escreveu o Saltério foram dez profetas, a saber, Moisés, Davi, Salomão, Asaf, Etã, Iditun, Emã e os filhos de Coré, a saber, Asir, Elcana e Abiasaf. Há quem diga que Esdras, Ageu e Zacarias também escreveram. Salomão escreveu Provérbios, Eclesiastes e Cânticos dos Cânticos. Isaías escreveu seu próprio livro, do mesmo modo também Jeremias com suas Lamentações. Sábios varões da Sinagoga escreveram Ezequiel, [os Doze], Daniel, Paralipômenos e Ester. Esdras escreveu seu próprio livro. Além disso, o mesmo Esdras, inspirado pelo divino Espírito, restaurou todos estes livros depois da Lei ter sido queimada pelos caldeus, enquanto os judeus estavam entrando em Jerusalém, e corrigiu todos os volumes dos profetas que tinham sido corrompidos pelos gentios e organizou todo o Testamento em vinte e dois livros, para que houvesse tantos livros na Lei quantas são computadas também as letras.
Primum post Esdram editionem de Hebraeo in Graecum Septuaginta interpretes ediderunt, sub Ptolemaeo Aegyptiorum rege, successore Alexandri, qui in legendo studiosus fuit, omniumque libros gentium congregavit. Iste enim ab Eleazaro, qui erat princeps sacerdotum, multa dona mittens ad templum, petit ut senes de duodecim tribubus Israel transmitterentur, qui interpretarentur omnes libros eorum, et ut fidem interpretationis adverteret, singulis eorum qui fuerunt destinati singulas cellulas dedit, et assignans omnibus, omnes Scripturas jussit interpretari. Qui cum per septuaginta dies istius rei negotium adimplessent, omnium simul interpretationes, quas per diversas cellas segregati nullo ad nullum propinquante fecerunt, congregavit in unum, atque ita omnes libri interpretati per Spiritum sanctum inventi sunt, ut non solum intellectu, verum etiam et in sermonibus consonantes invenirentur. Haec fuit prima interpretatio vera ac divina.
Depois de Esdras, os setenta intérpretes publicaram, pela primeira vez, uma edição do hebraico para o grego, sob Ptolomeu, rei dos egípcios, sucessor de Alexandre, que foi dedicado à leitura e reuniu os livros de todos os povos. Pois este, enviando muitos presentes ao templo, solicitou que lhe fossem confiados anciãos das doze tribos de Israel da parte de Eleazar, que era o príncipe dos sacerdotes, para traduzirem todos os livros deles. E, para constatar a fidelidade da tradução, concedeu celas individuais a cada um dos que foram designados e, delegando a todos, ordenou que todas as Escrituras fossem traduzidas. Tendo alcançado o objetivo desta proeza no decorrer de setenta dias, reuniu simultaneamente, no mesmo lugar, as traduções de todos, que eles fizeram separados em celas diferentes, sem ninguém recorrendo a ninguém. E assim todos os livros foram apresentados como traduzidos pelo Espírito Santo, de tal modo que se revelaram concordantes não apenas no sentido, mas também nos discursos. Esta foi a primeira tradução verdadeira e admirável.
Hos libros meditari omnium gentium Ecclesiae primum coeperunt, eosdemque de Graeco in Latinum interpretantes, primi Ecclesiarum provisores tradiderunt. Post haec secundam editionem Aquila, tertiam et quartam Theodotion et Symmachus ediderunt, ambo Judaei proselyti; quintam vero et sextam editionem Origenes reperit, et cum caeteris supradictis editionibus comparavit. Hi sunt itaque tantum, qui Scripturas sacras de Hebraeo in Graecum sermonem verterunt, quinque etiam et numerantur.
As Igrejas de todos os povos começaram a examinar primeiramente estes livros e, traduzindo os mesmos do grego para o latim, os primeiros provedores das Igrejas os transmitiram. Depois disto, Áquila publicou uma segunda edição, Teodocião e Símaco, ambos judeus prosélitos, a terceira e a quarta; Orígenes verificou ainda uma quinta e uma sexta edição, e as comparou com as outras edições supracitadas. São, portanto, apenas estes que verteram as Escrituras Sagradas do hebraico para o idioma grego, e também são enumerados como cinco.
Nam Latinorum interpretum qui de Graeco in nostrum eloquium transtulerunt, ut meminit sanctus Augustinus, infinitus numerus est. Si cui enim, inquit, primis fidei temporibus ad manus venit codex Graecus, atque aliquantulum esse sibi utriusque linguae peritiam sensit, ausus est statim interpretari, atque inde accidit tam innumerabiles apud Latinos exstitisse interpretes. De Hebraeo autem in Latinum eloquium, tantummodo Hieronymus presbyter sacras Scripturas convertit: cujus editione generaliter omnes Ecclesiae usquequaque utuntur, pro eo quod veneratior sit in sententiis, et clarior in verbis.
Pois o número dos tradutores latinos que traduziram do grego para nossa língua, como recorda Santo Agostinho, é infinito. Pois, disse ele, nos primeiros tempos da fé, se às mãos de alguém chegava um códice grego e sentia que possuía um pouco de conhecimento de ambas as línguas, imediatamente ousava traduzi-lo e daí aconteceu de surgirem tão inumeráveis tradutores entre os latinos. Mas somente o presbítero Jerônimo verteu as Sagradas Escrituras do hebraico para a língua latina, cuja edição, de um modo geral, todas as igrejas em toda parte têm utilizado, por ser mais venerada nas sentenças, e mais clara nas palavras.
Librum Sapientiae Salomon scripsisse probatur, testimoniis illis quibus legitur: Tu me, inquit, elegisti regem populo tuo, et dixisti aedificare templum nomini sancto tuo, in civitate sanctae habitationis tuae (Sap. IX). Hoc opus Hebraei (ut quidam sapientum meminit), inter canonicas Scripturas recipiebant. Sed postquam comprehendentes Christum interfecerunt, memorantes in eodem libro tam evidentissima de Christo testimonia quibus dicitur: Dixerunt inter se impii: Comprehendamus justum quia inutilis est nobis, et contrarius est operibus nostris, et promittit se scientiam Dei habere, et Filium Dei se nominat (Sap. II). Et infra: Si enim est vere Filius Dei, suscipiet illum et liberabit illum de manu contrariorum. Ac deinde: Ut sciamus reverentiam illius, et probemus patientiam ejus, morte turpissima condemnemus eum (Ibid.); collatione facta, ne nostri eos pro tam aperto sacrilegio derogarent, a propheticis eum voluminibus reciderunt, legendumque suis prohibuerunt.
Julga-se que Salomão escreveu o livro da Sabedoria por meio daqueles testemunhos nos quais se lê: «Tu», disse ele, «me escolheste como rei de teu povo, e me mandaste edificar um templo para teu santo nome, na cidade da tua santa habitação» (Sb 9, 7-8). Os hebreus, como recorda um dos sábios, recebiam esta obra entre as Escrituras canônicas. Mas, depois que os capturadores mataram o Cristo, recordando no mesmo livro tão evidentíssimos testemunhos acerca de Cristo, nos quais se diz: «Disseram os ímpios entre si: Capturemos o justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras. Afirma ter o conhecimento de Deus e se declara Filho de Deus» (Sb 2, 12-13). E abaixo: «Pois se é realmente Filho de Deus, ele o assistirá e o libertará da mão de seus adversários» (Sb 2, 18). E finalmente: «Para que conheçamos sua serenidade e provemos sua resignação, condenemo-lo à morte mais ignominiosa» (Sb 2, 19-20); depois que fizeram a comparação, para que os nossos não os censurassem por um sacrilégio tão manifesto, eles o retiraram dos volumes proféticos e proibiram aos seus de lê-lo.
Librum autem Ecclesiasticum composuit Jesus filius Sirach Hierosolymitanus, nepos Jesu sacerdotis, de quo meminit Zacharias. Qui liber apud Latinos, propter eloquii similitudinem, Salomonis titulo praenotatur. Praeterea Judith et Tobiae sive Machabaeorum libros, qui auctores scripserint, minime constat.
O livro do Eclesiástico, porém, quem o compôs foi Jesus, filho de Sirac, o Hierosolimitano, neto do sacerdote Jesus, de quem faz menção Zacarias. Este livro, entre os latinos, é designado com o nome de Salomão devido à semelhança de discurso. Além disso, em relação aos livros de Judite e Tobias, ou dos Macabeus, não está absolutamente claro quais autores os escreveram.
Novum autem Testamentum, quatuor libros Evangeliorum quatuor evangelistae singulos scripserunt: quorum solus Matthaeus Hebraeo scripsisse perhibetur eloquio, caeteri Graeco. Paulus apostolus suas scripsit Epistolas, ex quibus novem septem ecclesiis scripsit, reliquas discipulis suis, Timotheo, Tito et Philemoni. Ad Hebraeos autem Epistola plerisque Latinis ejus esse incerta est, propter dissonantiam sermonis, camdemque alii Barnabam conscripsisse, alii a Clemente scriptam fuisse suspicantur. Petrus scripsit duas nomine suo Epistolas, quae Catholicae nominantur, quarum secunda a quibusdam ejus esse non creditur, propter styli sermonisque distantiam. Jacobus suam scripsit Epistolam, quae et ipsa a nonnullis ejus esse negatur, sed sub nomine ejus ab alio dictata existimatur. Joannes Epistolas tres edidit: quarum tantum prima a quibusdam ejus esse asseritur, reliquae duae Joannis cujusdam presbyteri existimantur, cujus, juxta Hieronymi sententiam, alterum sepulcrum apud Ephesum demonstratur. Judas suam edidit Epistolam. Actus apostolorum Lucas composuit, sicut audivit vel vidit. Apocalypsin Joannes evangelista scripsit, eodem tempore quo ob Evangelii praedicationem in insulam Pathmos traditur relegatus.
E no tocante ao Novo Testamento, os quatro evangelistas escreveram cada um dos quatro livros dos Evangelhos: destes somente Mateus escreveu em língua hebraica, os demais em grego. O Apóstolo Paulo escreveu suas epístolas, das quais escreveu nove a sete igrejas e as restantes a seus discípulos Timóteo, Tito e Filêmon. Entretanto, para a maioria dos latinos, é improvável que a epístola aos Hebreus seja dele, devido à dissonância da linguagem, uns opinam que Barnabé a redigiu, outros que foi escrita por Clemente. Pedro escreveu as duas epístolas sob seu nome, que se denominam «católicas». Destas, alguns não acreditam que a segunda seja dele, devido à diferença de estilo e de linguagem. Tiago escreveu sua epístola, que alguns também negam ser dele, mas se estima ter sido ditada por outro sob seu nome. João publicou três epístolas: das quais alguns asseguram que somente a primeira é dele, as duas restantes são consideradas de um certo presbítero João, de quem, conforme opinião de Jerônimo, é mostrado outro sepulcro em Éfeso. Judas publicou sua própria epístola. Lucas compôs os Atos dos Apóstolos, como ouviu ou viu. João Evangelista escreveu o Apocalipse, na mesma época em que diz a tradição ter sido exilado na ilha de Patmos por causa da pregação do Evangelho.
Hi sunt scriptores sacrorum librorum, divina inspiratione loquentes, ad eruditionem nostram praecepta coelestia in Ecclesia dispensantes. Auctor autem earumdem Scripturarum Spiritus sanctus esse creditur. Ipse enim scripsit, qui per prophetas suos scribenda dictavit.
Estes são os autores dos livros sagrados que, falando por divina inspiração, dispensam na Igreja os preceitos celestes para a nossa instrução. Acredita-se, aliás, que o Espírito Santo é o autor dessas mesmas Escrituras. Pois Ele próprio escreveu, Ele que ditou o que deveria ser escrito por meio de seus profetas.